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terça-feira, novembro 10, 2009

Vivendo e aprendendo!


Semana passada uns amigos e eu recebemos um convite (via facebook) para ir em uma festa de Halloween de uma escola de comércio de Nice. A coisa ja' começou errada quando decidiram fazer uma festa de Halloween 10 dias atrasado, mas tudo bem. Pelo menos pra isso tem uma explicação plausível. No fim de semana original do halloween (31/10), foi recesso escolar na França, então muitos estudantes estavam viajado e isso justifica esse pequeno "ajuste".

OK, refletimos e achamos q poderia ser uma boa idéia, além do mais, conheceríamos pessoas novas e tal. No dia em que decidimos ir na tal festa o meu sentido-de-aranha-manca estava dormindo, pois nem se quer um sinal de encrenca ele emitiu.

Chegada a fatídica noite passada, fomos dois amigos e eu pra tal festa. Eu fui fantasiado como "O senhor dos calabouços", outro amigo como "Scream" (do filme Pânico) e o terceiro como Napoleão Bonaparte.

Chegamos em Nice e deixamos o carro no estacionamento. Para chegar até a festa foi preciso andar uns 15 minutos e ali começaram os problemas. Por onde passávamos (ja' vestidos a caráter - obvio) as pessoas faziam comentários dos mais variados, como "oooolhaaaaa", ou "Halloween ja' passou", "vocês estão alguns dias atrasados" e assim por diante.

Passada a fase de exposição publica, chegamos no ambiente onde em teoria estaríamos entre pessoas como nós (ridículos mas iguais - maldito senso de comunidade!!!). Pena que isso não foi verdade.

Na porta eu tive a minha primeira decepção. O segurança não deixo eu entrar com o "gadanho" (aquela foice grande que a morte carrega). Tentei argumentar com ele, mas o meu esforço não surtiu efeito. Para a nossa surpresa, ao entrarmos no bar menos de 20% das pessoas que estavam la' estavam vestidas a caráter. Pra piorar, algumas pessoas la' nem sabiam que aquela era uma festa de halloween. A prova viva disso foi um casal que veio conversar com o Napoleão e perguntou:

- O que você faz aqui? trabalha? estuda?
- Eu trabalho em Sophia Antipolis.
- ahhhh
- é... Sophia Antipolis.
- hummm eu achei que você trabalhava no Hotel Negresco (o hotel mais famoso de Nice)

é sério... confundiram o Napoleão Bonaparte com um porteiro de hotel (que fase!!)

Ficamos mais um tempo na festa e chegamos a conclusão de que o ambiente não era dos mais favoráveis mesmo. Além de ser um espaço pequeno, a maioria das pessoas estava bêbada. Isso sem contar que nós três tivemos a impressão de estar num ambiente GLS (que fase - amostra grátis do inferno). Então resolvemos acabar a bebida e voltar pra casa. Enquanto saiamos no meio de uma multidão que nos olhava com uma cara do tipo: "o que esses otários estão fazendo aqui", ouvimos alguém dizendo:

"olha o cara ali fantasiado de Michael Jackson" apontando para o Napoleão.

Na saída recuperei o gadanho e fomos em direção ao estacionamento. Nos 15 minutos que se passaram nós fomos discutindo como alguém poderia ter confundido o Napoleão com um porteiro de hotel e com o Michael Jackson. Para a nossa surpresa, ao passar por um grupo de três pessoas alguém apontou para o Napoleão gritou:
"spiiiiiiderman!!!!"

Spiderman?!? Que porra é essa??? Fomos rindo daquele ponto em diante até o carro.

Com base nessa nossa aventura, podemos tirar algumas conclusões:
1 - Não crie expectativas para as festas como essa
2 - So' desocupados / estudantes / pessoas muito empolgadas (nós nos incluímos na terceira opção) saem para um festa na segunda-feira a noite
3 - Não va' a nenhum halloween fora de época
4 - Uma parcela do povo francês não tem a menor idéia de quem foi Napoleão Bonaparte

quarta-feira, outubro 28, 2009

Modo Pedreiro: ATIVAR!!

Todos os homens tem um momento "pedreiro" na vida. Pra alguns dura uma vida toda, para outros apenas uma fração de segundos que é quando ele liga o fod@-se e sai fazendo e/ou dizendo besteira.

Eis que certo dia estávamos quatro amigos na busca por um restaurante. A coisa ja' começou errada quando o critério para escolher o restaurante não foi o menu, mas a quantidade de mulheres que estavam nos restaurantes. Alguém do grupo falou assim:
"- Pô, se é pra comer em algum lugar, pelo menos vamos comer onde nós podemos olhar umas meninas bonitas" (que fase!)

Depois de um tempo encontramos um restaurante que parecia ser rasoável. Sentamos na parte de dentro pq não queríamos sentir o cheiro de cigarro que vinha das pessoas que estavam jantando e fumando nas mesas ao lado de fora.

Por um acaso do destino, fomos colocados numa mesa perto da porta de vidro e do outro lado haviam 4 meninas, todas elas, digamos, bem apessoadas. Uma, em especial, era muito bonita. Como era de se esperar, o assunto durante o jantar variou entre coisas de nerd e as nossas "vizinhas".

Fizemos o pedido, comemos, mas mesmo assim em alguns momentos a atenção era voltada para as meninas. Chegou um momento que um dos 4 disse que algo precisava ser feito. Acabou sobrando pro Ciclano, pois ele estava mais perto delas. Então ele falou:

"- se eu tivesse uma caneta, eu escreveria um recado no guardanapo pra elas."

Sem nem ao menos pensar, eu chamei o garçom e peguei uma caneta emprestada. Se não me falha a memória, o bilhete foi algo assim:

"Hi, do you want to go dance salsa this evening? :-)"

Então o Cliclano bateu no vidro, elas olharam e ele mostrou o guardanapo.
A menina ficou meio sem jeito, mas logo em seguida balançou a cabeça fazendo o sinal de não. Então o Cliclano escreveu do outro lado do guardanapo:

"Why not? La Bodeguita!"
(La Bodeguita é um bar de salsa em Nice)

Mais uma vez Cliclano bateu no vidro e mostrou o guardanapo.
Elas riram, falaram alguma coisa entre elas (que a minha habilidade em leitura labial combinada com o meu conhecimento na língua francesa não foram suficientes pra entender) e responderam que não balançando a cabeça.

"Pedreiragens" a parte, as meninas sairam do restaurante sorrindo :-)

segunda-feira, agosto 17, 2009

Desportista

Sábado a noite ficou decidido de irmos fazer "hiking" ou, como se diz em SC, trilha mesmo...

O autor da idéia combinou que iria ligar pra todos as 10:00 am e que sairíamos entre 11:00 e 12:00. Conhecendo a figura, eu ja' comentei:
"não vamos sair antes das 12:30".

Dito e feito. 13:00 h ainda estávamos esperando pra sair.

Conversa vai, conversa vem, e alguém comentou que o tempo de caminhada seria de um pouco mais de 1h.
Outra vez eu coloquei a minha bola de cristal Cica pra funcionar e falei:
"podem se preparar pra algo em torno de 2:30h a 3h de caminhada".

Bingo novamente. O percurso de trilha foi feito em 2h e 33 min.

Acontece que todos estavam "preparados" pra 1h e 30 min de caminhada. Resultado: sede! muita sede!!!

Fica aqui a dica pra quem for se aventurar nesse tipo de coisa: superdimensionem a quantidade de agua pois é melhor ficar carregando agua do que passar cede.




Pra quem quiser mais detalhes sobre a caminhada, é so' clicar aqui que vai encontrar informações como: hora de inicio e fim, duração, distância percorrida, entre outros.

segunda-feira, agosto 10, 2009

A qualidade na prestação do serviço

Ontem a tarde um amigo me telefonou convidando para irmos pra Saint Raphael (pertinho de Saint-Tropez). Depois de uma meia-hora e alguns telefonemas, tudo estava arrumado e partimos em 2 carros: 3 brasileiros, 2 brasileiras, 1 polonesa e 1 inglês.

Depois de andar um pouco mais de 50 km e chegamos no tal lugar (com a ajuda do GPS, obvio!). Ficamos um tempo na praia e por volta das 19:00h resolvemos comer algo. Chegamos no restaurante e o garçom perguntou:

- Mesa para quantas pessoas?
- 7 pessoas, por favor
- Vocês vão comer agora?
(como assim?? se nós estamos entrando no restaurante é pq nós vamos comer!)
- Sim

Nos acomodamos e depois de uns 5 minutos o menu apareceu.
Das 7 pessoas, apenas os homens resolveram "comer de verdade". As meninas iriam pedir algo pra beber e sorvete. Então fizemos o pedido para o garçom e ele saiu.
Algum tempo depois ele voltou e disse:

- Infelizmente eu não posso fazer o pedido de vocês...
Nos olhamos sem entender direito o que estava acontecendo e ele continuou
- ... todos os 7 devem fazer pedido de "prato quente", caso contrário não sera' possível.

Nesse instante o tempo parou. Parou por apenas uma fração de segundos, mas eu pude ver os olhares de indignação de todos na mesa. Vale destacar a gota de suor - que surgiu não pelo calor, mas pela ira - escorrendo ao lado da testa de um dos brasileiros. O outro estava com os dentes cerrados e uma expressão na cara que deixava claro que ele pensava "mas que porra é essa?!?!?"

Alguém, ainda sem acreditar no que o garçom havia falado, perguntou:
- como?
e ele repetiu:
- ... todos os 7 devem fazer pedido de "prato quente", caso contrário não sera' possível.

Outra vez nos olhamos e sem mais nenhuma duvida nos levantamos para sair. Entre frases do tipo "eu ainda não acredito nisso" e "essa foi a coisa mais estupida que eu ja' vi na vida" nos dirigimos para fora do restaurante.

Alguém deve estar lendo o texto e pensando que "faz sentido", ja' que nós poderíamos estar ocupando o lugar de clientes que iriam gastar mais. Certo? Errado! Porque? Nós eramos os únicos clientes no restaurante.

Saímos e fomos procurar outro lugar pra comer. Dessa vez, ja' ressabiados com o atendimento, ao chegar no outro restaurante deixamos claro que apenas 4 das 7 pessoas iriam comer.

A senhora que nos atendeu foi simpática e disse "não tem problema".

Sentamos e esperamos. Esperamos pra ela trazer o menu. Esperamos para ela vir fazer o pedido. Esperamos para ela trazer o pedido e tivemos que esperar para alguém olhar na nossa direção para pedir a conta.

Quando a conta chegou, começamos a ver quanto cada um iria pagar, ja' que não seira justo alguém que consumiu 5€ dividir a conta com alguém que consumiu 20€. Depois de os valores estarem devidamente divididos e mais uma espera até a "tia" que nos atendeu aparecer, começamos a pagar a conta.

Entre um pagamento e outro a tal "tia" se dividia em 5 tarefas diferentes: cobrar a nossa conta, entregar pratos para outros clientes, limpar o chão, atender reclamações e falar com os outros funcionários do restaurante. Obviamente, ela não conseguiu manter o foco em nenhuma das atividades e nenhuma foi bem feita.

Depois de uns 15 minutos ainda o Flávio e eu esperávamos pra pagar. A minha conta dava um pouco menos de X€ e a do Flávio algo em torno de Y€. Mas a tal "tia" teve um surto quando falamos que eu iria pagar o valor X€ e ele Y€. Do nada ela começou a dizer que se fosse assim ela iria ficar louca e que se todos os clientes quisessem pagar dessa forma ela não teria como trabalhar e bla bla bla.

Nessa hora eu olhei pra cima, respirei fundo (perguntando, porque??? porque???), olhei pra ela novamente ignorando o que ela havia dito e disse:
- Eu vou pagar X€, obrigado.
Entreguei o cartão de crédito e fiz uma cara de que se ela não aceitasse ela não sairia viva do estabelecimento.

Aparantemente ela não gostou muito, mas fez o restante da cobrança e assim pudemos voltar pra casa sem nenhuma gota de sangue ser derramada.

segunda-feira, junho 29, 2009

Sábado a noite

Sábado eu sai com um casal de amigos e a noite foi, digamos, diferente.

Eu não me incomodei de parecer um candelabro, ja' que fiquei segurando vela a noite toda (nota mental: perguntar pra eles se a reciproca é verdadeira!), mas o "diferente" da noite foi o ambiente.

Fomos num barzinho chamado Zapata. Até ai tudo bem, apesar de que música as vezes era um pouco estranha. Bom, tocou de tudo: salsa, la bamba, Shakira (é assim q escreve?) e, para a minha surpresa, até lambada. SIM lambada!!! (chooooorando se foi quem um dia so' me fez choraaaar... - maldita musica que não sai da minha cabeça).

Entretanto o que mais chamou a atenção no tal barzinho foram as pessoas que estavam dançando. Obviamente tinha gente normal, mas algumas figurinhas se destacaram, por exemplo:
1 - uma mulher que dançava igual a uma galinha com convulsão (o pescoço ia para frente e para traz enquanto todo o corpo tremia em movimentos aleatórios);
2 - dois carinhas um tanto quanto agitados que dançavam um de frente para o outro com movimentos pouco assimétricos e fora do ritmo da música;
3 - uma mulher que achava q dançar lambada é ficar dando pulos como se os pés dela estivessem pagando fogo; e
4 - um rapaz que parecia estar possuído pelo capeta. Imagine a cena do filme "Embalos de sábado a noite" com a trilha sonora da Shakira e um um indivíduo com problemas claros de coordenação motora.

Bom... isso prova que o meu pára-raio-de-loucos continua na sua potência máxima.

Update: Estou ouvindo doses cavalares de Metallica, mas até agora a maldita lambada não saiu da minha cabeça.

terça-feira, junho 16, 2009

out of range...

Depois do aniversário de 1 ano na França, o blog ficou meio parado... e ele vai continuar assim por mais uma semana porque eu vou ficar distante de aparatos tecnológicos* (vide Internet) .

Quando eu voltar eu prometo atualizar os acontecimentos dos dias estão por vir.

Para desencargo de consciência por não ter postado nada, segue abaixo rotina dos últimos 8 dias:

Segunda-feria (08/06) - casa de conhecidos com música e muita discussão (para todos os gêneros e gostos) - fui dormir as 04:00 a.m. e levantei as 07:30 na terça.
Terça-feira (09/06) - jantar na casa de amigos brasileiros - fui dormir a 01:30 a.m. e levantei as 6:30 na quarta.
Quarta-feita (10/06) - comemoração de 1 ano na França (pub Irlandês) - fui dormir a 02:15 a.m. e levantei as 6:30 na quinta.
Quinta-feita (11/06) - festa em Mônaco - fui dormir a 4:00 a.m. e levantei as 07:30 na sexta.
Sexta-feira (12/06) - soirée com os amigos em vários pubs (Antibes e Juan Les Pins) - fui dormir a 03:00 a.m. e levantei as 9:30 do sábado.**
Sábado (13/06) - soirée com os amigos em vários pubs (Antibes e Juan Les Pins) parte II - fui dormir a 03:00 a.m. e levantei as 10:00 do domingo.**
Domingo (14/06) - pub em Cannes com musica ao vivo - fui dormir a 03:00 a.m. e levantei as 07:00 de segunda.
Segunda-feira (15/06) - saída com os amigos e depois bate papo na minha casa - fui dormir a 02:00 a.m. e levantei as 07:30 de hoje.

Obviamente eu trabalhei em todos os dias úteis.


*Maquina fotográfica e celular não entram nessa classificação
**Infelzmente o meu organismo não deixou eu dormir mais.

quarta-feira, junho 10, 2009

Parabéns pra você!!!

Hoje 10/06/2009 completa um ano (ja'?!?) que eu cheguei na França. O saldo desses 12 meses na famosa Côte d'Azur foi:

Pela primeira vez "pratiquei" Ski Aquatico, tive meu primeiro treinamento contra incêndio, vi um Audi R8 e um vette "ao vivo", conheci Mônaco e Monte Carlo (Monte Carlo não é a cidadezinha do lado de Fraiburgo não), Nice, morei por algum tempo na charmosa cidade de Valbonne e mudei para Antibes.

Nesse meio tempo eu coloquei o meu para-raio-de-loucos em para funcionar a todo vapor, mas por uma infelicidade do destino eu fui atropelado o que rendeu uma história de vários capítulos que ainda não acabou (com direito um osso quebrado). No meu trajeto casa-trabalho eu peguei ônibus errado e alguns dias de chuva (parte 1 e parte 2). Refleti sobre a minha vida e me questionei sobre o meu objetivo aqui. Descobri que por aqui também tem incompetência, enfrentei toda a burocracia francesa pra renovar o visto além de encarar os dias de greve com toda bravura

Numa fase mais "turística" eu consegui ir a Paris (e voltar no mesmo dia) , mas para compensar eu fui num carnaval completamente diferente de todos que eu havia visto na minha vida e passei pela famosa Fêste du Citron, mas claro, com emoção. Também fui ao Festival Internacional de Cannes pra passar vergonha porque não sabia o nome de nenhum artista.

Pratiquei esportes radicais mesmo sem saber do perigo que eu corria e outros e não tão radicais assim. Em alguns momentos eu senti na pele toda a sutileza francesa, mas foi um caso isolado e isso não reflete nem um pouco a cultura do país. Aqui eu também joguei Rock Band pela primeira vez, viciei e isso rendeu uma boa aventura ao comprar um Xbox 360 (parte 1, parte 2, e parte final).

Todas essas histórias (verídicas, é claro) acabaram rendendo dois selos no blog (1 e 2) e que me deixaram muito feliz, mas talvez o mais importante foi eu ter encontrado bons amigos, apesar de algumas vezes ganhar um presente de grego.

Infortúnios a parte eu confesso que esse ano foi, no mínimo, interessante.

terça-feira, junho 09, 2009

Começando o dia com o pé dir... bem, deixa pra la'

Normalmente eu saio da cama as 6:00 (da manhã, viu?!), mas hoje eu acordei atrasado e levantei as 7:35 (os motivos do meu atraso são um tanto quando sórdidos, mas isso fica pra outra hora).

Mesmo atrasado resolvi seguir a minha rotina de banho, café, escovar os dentes para, dai sim, sair. Tudo bem que eu fiz isso como um maratonista, mas fiz.

Ao sair de casa vi que havia chovido, então voltei pra pegar o guarda-chuva (seguro morreu de velho). Depois de 5 minutos caminhando, abriu o sol. Faz parte!

Enquanto eu caminhava até o ponto de ônibus eu tentava lembrar se não havia nenhuma reunião ou algo importante marcado pra hoje de manhã. Num desses devaneios da minha mente eu senti uma coisa macia e um pouco escorregadia debaixo do meu pé.

Bingo!!!

Pisei num cocozão de cachorro (no meio da calçada). Depois de espontaneamente soltar um "filha da #Xt@" resolvi atravessar a rua para limpar o pé na grama do canteiro.

Continuei andando, mas com a mente dividida entre o sujeira no meu calçado e uma possível reunião e acabei esquecendo de prestar atenção numa parada de ônibus "alternativa" (é uma linha que dificilmente eu pego por ser um pouco mais demorada), mas como eu estava atrasado e o trânsito estava meio caótico, essa linha seria uma opção interessante. Quando me dei conta o ônibus havia acabado de passar.

Resolvi ir até a parada de ônibus tradicional mas, como Murphy é meu amigo, faltando uns 100 metros para chegar la' eu vi o ônibus de saída. Eu fiz sinal pro motorista, mas ele fez uma cara de quem estava levando uma cantada gay e olhou pro outro lado. Resultado: fiquei esperando mais 25 minutos até o próximo ônibus chegar.

Obviamente a historia não poderia terminar assim. Quando o ônibus chegou, ele estava lotado e eu parecia uma sardinha la' dentro. Pra dar um "sabor especial" e fechar com chave de ouro, enfrentamos um congestionamento monstruoso e ainda havia uma tiazinha bem na minha frente que exalava uma mistura de odores de quem não tomava banho ja' fazia alguns dias e de cigarro.

que fase!

segunda-feira, junho 01, 2009

Um maratonista noturno (da série para-raios de loucos: ATIVAR!!)

Na quinta-feira dois amigos e eu marcamos de que na sexta iríamos num bar chamado "Le Ranch". Segundo o Fulano o local era muito legal, de frente para o mar e bem animado. Eltrano e eu dissemos: OK, vamos la'. O Fulano disse que ele tinha um aniversário para ir antes, mas que por volta das 23:00 h ele estaria livre.

Sexta-feria, 23:30 encontrei o Eltrano no caminho para a casa de uma amiga nossa. Quando entrei no carro o Eltrano ja' deu o prólogo da noite dizendo:
- Falei com o Fulano agora e ele ja' passou dos limites com o álcool. Hoje e não vai dar pra deixar ele dirigir.

Ligamos para o Fulano para avisar que havíamos chegado na frente do local do aniversário e ele foi para o "Le Ranch" no mesmo carro que nós.

O tal do "Le Ranch" é um lugar legalzinho, mas estava completamente vazio. Devia haver uns 5 casais, então entramos, olhamos e saímos. Decidimos ir até um outro barzinho chamado "L'Idem" no centro de Juan Les Pins. Dentro do carro o Fulano estava todo alvoroçado contando a mesma história repetidas vezes e falando alto (mais do que o de costume).

Estacionamos e sem mais nem menos o Fulado saiu correndo e parou no meio da rua trancando a passagem dos carros. Tiramos ele de la' a base de empurrões e entramos no L'Idem. Como um perfeito ilusionista o Fulado desaparecia do nosso lado e reaparecia com um copo de vinho de tempos em tempos. Saldo: empurrões nas pessoas ao redor, uma taça de vinho quebrada e muito, muito vinho derramado no chão.

Por volta das 2:00 am saímos do bar para ir pra casa e foi ali que as coisas mais bizarras da noite começaram a acontecer.

Na porta do estabelecimento, enquanto esperávamos (Fulano e eu) pelo Eltrano e a nossa amiga sairem, o Fulano veio com uma conversa muuuuiiito estranha e dizendo:
- Eu se que vc quer me beijar!
- O QUE??? TA' LOUCO??? VAI TOMAR NO ####!!!

Nesse momento o Eltrano e a nossa amiga sairam e ali começou o nosso calvário. Tentamos convencer o Fulano de ir pra casa no nosso carro, mas não teve jeito. Ele (literalmente) saiu correndo para procurar o carro dele.

O Eltrano e eu (dois bobos) fomos atrás, pq no estado que o Fulano estava não era nada prudente deixar ele dirigir. Ficamos revezando, um pouco o Eltrano e um pouco eu, tentando seguir o Fulano. Numa dessas disparadas o Fulano caiu, bateu a cabeça e esfolou as mãos. Felizmente não foi nada grave pq depois da queda ele levantou e saiu correndo/mancando mais uma vez.

O mais triste é que o Fulano não lembrava mais onde ele havia estacionado o carro. Andamos e corremos em circulo por uns 40 minutos e ele soltou outras pérolas do tipo:
- Eu sou o perigo aqui!
ou então
- Eu sou um guerreiro, vocês são todos fracos, vocês são perdedores

E assim foi com essas "frases de impacto" (haja saco!!) até a casa dele.

Nesse meio tempo eu ainda ouvi inúmeras vezes a menina dizendo:
- Eu estou cansadaaaaaaa
- Eu quero ir no banheirooooo
- Nós vamos ficar andando a noite todaaaa???
(e ela não estava bêbada)

Passaram mais alguns minutos e nada de encontrar o carro. Conseguimos então convencer o Fulano de voltar no nosso carro. O Eltrano voltou para buscar o carro dele e, em teoria, deveríamos ficar onde estávamos que ele viria nos pegar.

Porém, como era de se esperar, logo depois que o Eltrano saiu, o Fulano levantou e saiu correndo/mancando mais uma vez. Fomos atrás dele (a amiga e eu) até que por sorte ele entrou numa rua e bingo!! La' estava o carro dele.

Como ele havia derrubado as chaves logo na saída do L'Idem, eu estava com elas e voltei dirigindo. E' claro que a historia não acaba aqui. No caminho para casa o Fulano resolveu abrir o vidro e colocar a metade do corpo para fora (dando tapas no para-brisa). A minha reação foi segurar na calça jeans dele e diminuir a velocidade. Essa cena se repetiu mais 2 vezes até chegarmos.

Ja' no portão do condomínio onde o Fulano mora começou a terceira parte da novela. Ele saiu do carro e disse que não iria deixar eu entrar dirigindo e repetindo "eu sou capaz!! eu sou um guerreiro". Tentei argumentar com ele, mas sem sucesso. Quando o Eltrano chegou ele disse "deixa", então sai do carro e o Fulano colocou o código para abrir o portão e entrou dirigindo no estacionamento (com direito a aceleradas e freadas bruscas).

Durante esse tempo todo o Eltrano e eu ainda ouvimos coisas do tipo "Odeio quando querem mandar em mim!! Eu sou capaz!!" e assim por diante.

Moral da história: você tenta ajudar o indivíduo e ainda acaba passando por ruim e muita raiva.

Nota: Porque eu aturei tudo isso? Simplesmente pelo fato de que se o Fulano sofresse um acidente ou algo do gênero, eu iria ter um peso na consciência enorme por saber que eu poderia ter tentado evitar.

Nota 2: Fulano e Eltrano - "F" e "E" são as primeiras letras do nome dos meus dois amigos. Resolvi manter o nome deles em sigilo, se bem que o Fulano merecia ter o nome divulgado depois de tudo que ele fez.

Nota 3: Encontrei o Fulano na tarde de sábado com o olho roxo e mancando. Parecia que ele havia levado um soco no rosto, mas foi do tombo dele mesmo.

quinta-feira, maio 21, 2009

Indo pro inferno e voltando (com vida)

No post Pé frio? não, é soh impressão sua... eu comentei sobre os problemas de ir até a "Prefecture de Nice", uma verdadeira amostra grátis do inferno. Pois bem, o fato é que mais uma vez eu tive que enfrentar a maratona pra poder renovar o meu visto "Titre de Séjour".

A diferença é que dessa vez estava tudo certo. Liguei no departamento que atende exclusivamente pesquisadores (chique!!) e marquei um horário: quarta-feira, 20 de maio de 2009 as 09:00 am. Depois disso emiti uma "ordre de mission" que autoriza a minha saída da empresa para lidar com esses assuntos e reservei o carro da empresa (das 07:00 am até as 13:00). Tudo seria bem mais facil, certo?

Errado!!!

Ontem eu fui o primeiro a chegar na empresa (07:15), mas como eu sabia onde os documentos e a chave do carro ficam, nem me preocupei. Ja' na minha sala, liguei o computador, apaguei um meio-incêndio e então fui em busca das coisas necessárias para ira a Nice. Para a minha surpresa, a chave e os documentos do carro não estavam la'. Voltei pra minha sala e esperei até a pessoa responsável pela parte da logística chegar. Quando o tiozinho chegou, ele me disse alguém havia saído com o carro no dia anterior e não havia retornado ainda. Tentamos ligar para o celular do individuo, mas nada... so' caixa postal. Nessa hora eu ja' estava P da vida, mas não tinha o que fazer senão esperar.

Por volta das 8:45 o tal carinha que havia saído com o carro chegou. Peguei as chaves e os documentos e me encaminhei pra Nice. Normalmente o trajeto Sophia Antipolis - Nice leva uns 25 ou 30 min. Ainda de dentro da garagem liguei para a "Prefecture" e falei com a pessoa que iria me atender. Expliquei pra ela que havia ocorrido um pequeno imprevisto e perguntei se havia algum problema de chegar atrasado. Felizmente tudo estava bem, era so' chegar, ir na recepção e pedir pra falar com ela (um problema a menos).

Como se não bastasse o atraso na saída, logo depois do pedágio de Antibes (inicio do caminho) a estrada estava toda parada. Era um congestionamento gigante (so' pra ter noção a auto-estrada tem 3 pistas e todas estavam paradas). Foram necessários 20 minutos para eu poder sair do lugar, mas mesmo assim o trânsito continuou caótico, oscilando entre 10 Km/h e 90 Km/h isso sem contar os motoqueiros-mágicos aparecendo de lugares improváveis.

Na entrada de Nice ainda havia um acidente. Depois de mais uns 5 minutos parado no trânsito consegui chegar ao lado da "Prefecture". Fase 1: chegar a Nice - OK, então começou a Fase 2, achar lugar pra estacionar. Ao lado da prefeitura tem um estacionamento de 4 andares, mas como eu cheguei meio tarde o estacionamento estava lotado. Havia então apenas 2 alternativas: 1 - Aplicar a "arte de estacionar" (consiste em você colocar o carro em locais humanamente impossíveis e as vezes desafiar as leis da fisica) ou 2 - Esperar, como outros veículos ja' faziam, alguém sair do estacionamento para que eu pudesse entrar. Acabei escolhendo a opção 2, até pq do jeito como eu sou sortudo, se eu aplicar os ensinamentos da "arte de estacionar", eu provavelmente terei que pagar uma multa de trânsito. Resultado: foram mais 10 minutos esperando na fila pra entrar no estacionamento e outros 15 minutos pra encontrar uma vaga.

Veio então a Fase 3: burocracia. Enfrentei outra fila para chegar na recepção (mais ou menos outros 15 minutos). Depois de alguns telefonemas, me mandaram esperar do lado de uma portinha. Mais alguns minutes até que uma senhora apareceu, chamou o meu nome, pegou os papeis, pediu para eu aguardar sentado (mal sinal) e desapareceu porta adentro.

Enquanto eu esperava sentou do meu lado esquerdo uma senhora com uma criança de colo e do outro lado um casal com uma criancinha de 3 ou 4 anos. Eu gosto de criança, mas naquela altura do campeonato, um neném de colo chorando na direita e uma espoleta que chutava tudo e todos ao seu redor, ja' estavam me tirando do meu estado "Zen". Obviamente que não poderia acontecer so' isso... a mãe do neném ainda teve que trocar a fralda da criaturinha e, como se pode imaginar, o odor não foi dos melhores.

Decidi levantar e esperar em pé longe daqueles "anjos". Outros 25 minutos de espera até a senhora voltar com alguns papéis pra eu assinar. De "brinde" ainda ganhei um visto provisório (três meses) até que o meu "Titre de Séjour" esteja pronto. Em menos de 90 dias (em teoria) eles vão mandar uma carta com o endereço do local onde eu devo retirar a o "Titre de Séjour" novo (provavelmente em Nice).

Pra fechar a odisséia com chave de outro (ainda não acabou) eu não encontrei a saída para a auto-estrada e voltei por dentro das cidades. Isso acabou me custando outros 40 minutos de trânsito, motoristas barbeiros e gente meio estressada. Pelo menos as músicas que tocavam no rádio eram boas...