quinta-feira, janeiro 07, 2010

Pela estrada afora, eu vou bem sozinho... (2)

Respondi:
"Não, ninguém me avisou!!"

"Acontece que o seu vôo Zurique - São Paulo foi cancelado já faz mais de seis meses"

Naquele momento me deu vontade de mandar todos pro inferno, mas como sempre, respirei fundo e pensei "agora fodeu!"

Fui em direção ao balcão de atendimento para tentar encontrar uma solução. Telefona daqui, telefona dali e todos os vôos para o Brasil que a Swiss operava ou tinha parceiros estavam lotados. Finalmente veio a proposta final, ficar mais 24h em Nice num hotel e pegar o vôo do dia seguinte. Ponderei as alternativas (não tinha muitas mesmo) e aceitei. Tentei de todas as maneiras conseguir uma compensação (por exemplo, voltar para SP na classe executiva), mas nada... a única coisa que eu consegui foi um voucher para o almoço no dia seguinte.

Nesse meio tempo ainda liguei pra um amigo meu, já que deveríamos nos encontrar em SP na manhã do dia 10/12 e expliquei a situação.

Passados uns 40 minutos, a van do hotel finalmente apareceu. Apesar ter ficado num hotel bom (4 estrelas), a noite foi relativamente conturbada. Dormi mal e não havia nada na TV (bom... isso eu já sabia). Na manhã seguinte ainda sai para dar uma caminhada, mas como o hotel e o aeroporto ficam a 7 km do centro de Nice, não tive muitas opções.

Obviamente eu poderia ter ido de ônibus, mas a empresa aérea pagou apenas uma diária, e isso significa que eu precisei fazer check-out do hotel as 12h00min h. Assim, almocei e me encaminhei mais uma vez para o aeroporto e mais uma vez munido do livro.

O vôo Nice - Zurique correu bem e, apesar de precisar atravessar todo o aeroporto (caminha, escada, caminha, caminha, trem, caminha, escada, caminha, caminha, caminha, caminha, caminha e caminha mais um pouco), cheguei ao portão de embarque com uma folga relativamente boa, tanto que ao chegar ainda havia lugar pra sentar.

Outra vez procurei refúgio no meu livro e fiquei alheio ao que acontecia ao meu redor. Chegada à hora do embarque, eu parti em busca do meu assento dentro da aeronave.

Chegando perto do meu acento, os prognósticos não eram bons. Havia crianças chorando e gritando. Olha daqui, confere dali e o momento fatídico chegou. Como fora prometido pela empresa aérea, eu sentaria no corredor, mas na minha direita estaria uma mãe, uma criança de uns quatro anos, outra criança de uns seis anos e mais uma criança de colo. Olhei pra cima e pensei comigo mesmo "por quê??? por quê???".

Entretanto, as minhas preces foram ouvidas e o comissário de bordo perguntou se eu aceitaria trocar de lugar com o pai da prole. O homem estava sentado também no corredor, mas do outro lado. Sem ao menos titubear, eu disse:

"Mas é claro, eu não ousaria deixar uma família separada" (sim, foi quase maquiavélico).

Acabei sentando do lado de uma brasileira e conversamos um pouco, foi através dele que eu soube que outros 2 brasileiros estavam sendo deportados, mas não entrei em detalhes. O fato curioso ocorreu quando ela perguntou de onde eu era. Respondi que eu sou do interior de SC, mais curioso ainda foi quando ela pediu exatamente de onde eu era. Respondi "Videira" e ela começou a rir... a tal menina é de Treze Tílias (exatos 27 km de distância de Videira).

O resto do vôo foi mais uma combinação de horas mal dormidas e espera. Por volta das 07h30min do dia 10/12, finalmente coloquei os pés em solo brasileiro.

continua...

2 comentários:

Desabafando disse...

Estava ansiosa pela continuação mas confesso que eu não imaginava nada disso...estou começando a achar que vc é muito azarado...rsrsrs...parece que tudo sempre dá errado contigo..mas no fim parece que a viagem foi tranquila né?

溫嵐Landy disse...
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